Cantaê

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sentir Saudade - 13.08.2007


hoje eu tive saudade..
do cheiro,
dos risos,
dos micos,
dos elogios.

tive saudade até do desprezo,
das mancadas.
das brigas.
das opiniões diferentes,
de todas as coisas iguais.

do "te adoro",
do "tchau",
da conexão cair,
da ansiedade na espera da resposta.

lembrei do banho de chuva,
do guarda-chuva,
da calçada molhada,
dos pés molhados,
e senti a roupa fria...

fiquei pensando se lembraria das "cantadas" sem sucesso,
do primeiro brigadeiro,
do primeiro filme,
do primeiro beijo...
das tantas primeiras vezes.
e também das últimas.

fiquei rindo sozinha de você.
da sua roupa inconveniente,
das visitas "inconvenientes",
da sua briga por minhas batatinhas.

tive saudade de você querer me fazer ciúmes,
de me rir por dentro quando te via,
de ficar horas olhando para a tela do pc.

queria saber tudo de você, e às vezes ate já soube.
queria ver você sorrindo de mim lendo isso.
queria ver você cheio de saudade, mesmo que nem adiante.

é muito bom mesmo lembrar de você,
e melhor ainda é sentir saudade.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Lembranças boas.


Semana passada sonhei com minha voinha. Um sonho embaralhado como sempre misturando gente de época que eu nunca vi, como num filme antigo que passam as lembranças em sépia ou preto e branco.

Minha velha tava como sempre feliz, aninhando todos a sua volta, querendo fazer o que cada um quer. Do jeito que ela era. Pra ser paga com um sorriso.
Fiquei pensando que aproveitei mto pouco dela. Com as mudanças de cidade o tempo todo durante a minha infância acho que perdi um pouco do amor de vó, não tudo, mas é como se pudesse tido mais sabe?

Quando ela tava doente, já chegando pertinho de papai do céu a gente fez o máximo que pode pra poder de vez em quando deitar no colo quentinho dela. E quando tinha alguma coisa precisando de orientação, mesmo que a gente soubesse a resposta que ela ia dar era bom perguntar, ver ela falando, explicando, contando as experiências vividas. Era lindo.

Ai hoje eu vejo muitas pessoas que não dão valor a uma vó de verdade. E muita gente que até tem uma vó, mas q é só por ser mãe da mãe e não a matriarca da família, e isso tem uma grande diferença. Sinto muita saudade de dizer "Bênção Voinha", mas acredito que toda vez que peço a bênção a minha mãe ela também responde.

Quando entro na casa que era dela, que agora já mudaram muita coisa, tinha um portal de mármore na entrada, agora só tem as marcas na parede, tiraram tudo.
A cozinha sem as prateleiras dela, o quarto sem o ventilador de teto, a sala sem a mesa grande que cabia a família toda. O banheiro continua igual, claro, ela juntou toda a aposentadoria e reformou todinha.

Fico imaginando o que ela diria se visse tudo assim mudado, cheirando a novo. Que prometiam tanto a ela uma pintura nova, uma reforma, uma faxina e nunca nada.
Acho que reformaram tanto aquela casa tentando tirar a imagem dela lá de dentro que virou outra casa. Tem um ar mais pesado, mesmo que esteja mais vazia. Deixou de ser casa de vó e virou casa de gente que nem sabe o que é uma vó.

Quero todos os dias sonhar com a minha velha querida me olhando com os olhos cansados e dizer que eu sou linda, "como uma santa". Ela dizia que tinha muito orgulho da família dela que era toda bonita.
Somos sim, mas ninguém tem a beleza dela. Que eu acho que mainha vai ganhar com os anos, mas não tanto.

Vó te amo, bênção voinha?
Boa noite.

terça-feira, 5 de maio de 2009

25.12.2007


Dá pra ver o dia amanhecer pelos raios de sol na janela.
Madrugada a fora de uma noite sem cor.
Companhia são as estrelas que desaparecem do céu, deixando entrever um dia que virá.
Não fosse o cheiro da terra molhada não se saberia que choveu.
Agora já fica mais claro, não pelo desapontar do sol no azul turquesa, mas pelo silêncio que faz pensar.
Já não me sinto mais só do que antes, mais auzente do que nunca e mais presente, em alma.
Queria tocar as estrelas e guarda-las pra mim.
Egoísmo de minha parte seria não amar tanto.
Egoísmo é o ar, prepotente, que paira na madrugada e por sí só faz chorar.